O que Charlize Theron pode ensinar sobre relacionamentos em “Atômica”

Atenção, contém Spoilers!

No filme “Atômica”, a atriz Charlize Theron, que também atuou como produtora, interpreta uma agente do MI6, que é enviada para Berlin durante a guerra fria, dias antes da queda do muro, com a missão de recuperar uma lista secreta que pode salvar a vida de outros agentes.

O filme gira em torno dessa dinâmica de espionagem, cenas de lutas e contextos históricos. Entretanto, no meio disso tudo, Lorraine (Charlize Theron) tem um relacionamento “pseudo romântico” muito rápido com uma outra agente chamada Delphine (Sofia Boutella).

Esse relacionamento pode parecer diferente, cinematográfico (claro), mas se observarmos um pouco mais de perto, podemos perceber que ele segue a mesma linha de muitos ciclos de relacionamentos que vemos e vivenciamos durante nossas vidas.

Refletindo sobre isso é possível chegar a 4 grandes ensinamentos* sobre relacionamentos:

1. Se traz felicidade hoje, amanhã é outra história

Imagem: Divulgação Focus Features

Tudo começa quando Lorraine é laçada pela sedutora de Delphine. O mundo está cheio de pessoas incríveis, com o poder de nos fazer cair em paixões e delírios. Assim como Lorraine, nós podemos facilmente nos entregar a essa deliciosa sensação de estar feliz nos braços de alguém.

Pode ser em forma de namoro, poliamor, sexo casual, não importa – o fato é que mais cedo ou mais tarde, todas as experiências positivas se transformarão em uma experiência negativa. Nós podemos encarar isso como uma lei universal chamada “sofrimento”, ele existe e é inevitável.

Nesse sentido, é bom sempre ter em mente que muitas vezes nós criamos situações de infelicidade, sem querer querendo, apenas tentando ser feliz.

2. Agimos com ignorância autoimposta

Imagem: Divulgação Focus Features

Lorraine é uma mulher de atitudes fortes e sabe muito bem que nada é permanente e que o sofrimento é inevitável, mesmo assim mergulha em uma aventura com destino certo.

Isso é propositalmente explícito na sequência de falas:

Lorraine – Esses relacionamentos não são reais, são só um meio para um fim.
Delphine – Quando você fala a verdade fica diferente, seus olhos mudam
Lorraine – Obrigada pelo aviso
Delphine – E significa o que?
Lorraine – Significa que é melhor não fazer isso de novo.
Delphine – Por quê?
Lorraine – Porque isso vai acabar me matando um dia.

O sofrimento é iminente – e talvez o maior erro nos relacionamentos é gerarmos uma falsa expectativa, nos associando e identificando com eles, tentando conseguir neles o que eles nunca vão nos dar.

Muitas vezes colocamos um véu sobre nosso olhos, impedindo de enxergar a realidade com transparência. Nossa visão se distorce em perseguir incansavelmente uma próxima solução, um próximo amor, um próximo “meu bem querer”, esperando que este seja o definitivo.

Mas nunca é, nunca está perfeito, sempre nos cansamos, a realidade muda rapidamente e o que fez sentido hoje de manhã não faz mais sentido a noite.

Todavia, contamos com uma ignorância autoimposta, que nos impede de ver as coisas como verdadeiramente são.

3. Sempre há o fim da artificialidade

Finalmente acontece algo que destrói a ignorância autoimposta. É o fim da artificialidade.
.
O assassinato de Delphine foi um arco importante para o filme, pois foi o que motivou mais ainda Lorraine perseguir assertivamente seus inimigos. Na prática, o véu que cobria seu rosto caiu sobre seus pés, a fazendo enxergar com lucidez a realidade.
.
O fim da artificialidade marca o fim do ciclo de erros que cometemos nas relações. Sempre vai acontecer algo para desestabilizar a situação, mudando totalmente a realidade.
.
O psicólogo e cientista PhD Altay de Souza explica** que tecnicamente quando nos apaixonamos por alguém, ocorre uma mudança na química do nosso cérebro, fazendo com que tenhamos atitudes e pensamentos não muito lógicos. Logo, quando a química se estabiliza, nossos sentimentos e visão do outro mudam, fazendo uma alusão a queda do véu.

4. A importância da inteligência emocional

Apesar de tudo, Lorraine permanece linda e plena. E o que podemos aprender com tudo isso?
.
…Que existe um caminho de sabedoria. Nesse caso foi o caminho da inteligência emocional, que é a qualidade que nos permite enfrentar com paciência, lucidez e criatividade os problemas que enfrentamos nas relações em geral, inclusive com nós mesmos.
.
Então recapitulando: O primeiro ensinamento é que tudo tem um fim e que vai gerar um sofrimento mais adiante, o segundo é que nós ignoramos os fatos e seguimos com as mesmas atitudes, o terceiro é que a vida vai se encarregar de dar o empurrão que precisamos para soltar as amarras, o quarto e último é que existe um caminho para evitar esse ciclo de infelicidade.
.
Quando finalmente entendemos como funciona esse ciclo, podemos experimentar uma vida com mais lucidez e menos sofrimento nas relações. Isso vale não só para relacionamentos românticos, qualquer tipo de relacionamento está sujeito a nossa ignorância em como lidar com as situações.
.
Sobretudo, a causa do sofrimento é a ignorância. Quando agirmos com sabedoria tudo fica mais fácil e menos doloroso
.
*Baseado em um ensinamento tradicional Budista chamado “As 4 nobres verdades”.
**Trecho do episódio #70 do podcast Naruhodo sobre “Existe amor à primeira vista?”.

  • Este artigo foi útil para você?
  • Sim   Não


Load More Related Articles
Load More By Franklin Alexandre
Load More In Desenvolvimento Pessoal

Facebook Comments

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *

Check Also

Por que fazer terapia e não um curso de Psicologia?

Muitas pessoas procuram o curso de Psicologia para ...