Por que nós amamos? Conheça as 5 maiores hipóteses filosóficas

Ah, o amor romântico…!

Belo e intoxicante, doloroso e devastador, muitas vezes, tudo isso ao mesmo tempo. Por que nós iríamos querer passar por esse turbilhão emocional? Será que o amor torna as nossas vidas significativas, ou é apenas um escape das nossas vidas solitárias e difíceis?

O amor seria um disfarce para o nosso desejo sexual, ou um truque de biologia para nos fazer procriar? Será “tudo o que precisamos”? Será que precisamos mesmo dele?

Se o amor romântico tiver um propósito, nem ciência, nem a psicologia descobriram ainda.

Mas ao longo do curso da História, alguns dos nossos mais respeitados filósofos avançaram teorias intrigantes:

Platão

platão

“O amor torna-nos completos, outra vez.”

O antigo filósofo grego Platão explorou a ideia de que amamos para nos tornarmos completos. Na sua obra “O Banquete“, ele escreveu sobre um jantar, no qual Aristófanes, dramaturgo de comédias, presenteia os convidados com a seguinte história:

“Os humanos eram outrora criaturas com quatro braços, quatro pernas e duas caras. Um dia, eles enfureceram os deuses, e Zeus cortou-os ao meio.”

“Desde então, cada pessoa sente a falta de metade de si mesma. “O amor é o desejo de encontrar a alma gêmea, para nos sentirmos inteiros outra vez.” Ou, pelo menos, era o que Platão acreditava que um dramaturgo cômico bêbedo diria numa festa.

Arthur Schopenhauer

Schoupenhauer

“O amor é um truque para fazermos bebés.”

Muito, muito mais tarde, o filósofo alemão Arthur Schopenhauer afirmou que o amor baseado no desejo sexual era uma ilusão voluptuosa.

Ele sugeriu que amamos porque os nossos desejos levam-nos a acreditar que outra pessoa nos faz felizes, mas estamos tristemente enganados. A Natureza está a enganar-nos para procriarmos, e a fusão amorosa que buscamos é consumada nos nossos filhos. Quando os nossos desejos sexuais estão satisfeitos, somos devolvidos às nossas existências atormentadas, e apenas temos sucesso em perpetuar a espécie e em perpetuar o ciclo do trabalho árduo humano.

Bertrand Russell

"O amor é um escape da nossa solidão."

“O amor é um escape da nossa solidão.”

De acordo com o filósofo britânico Bertrand Russell, vencedor do Nobel, amamos para saciarmos os nossos desejos físicos e psicológicos. Os humanos foram projetados para procriar, mas sem o êxtase do amor apaixonado, o sexo não é satisfatório.

O nosso medo do mundo frio e cruel, tenta-nos a construir duras carapaças para nos protegermos e isolarmos. O deleite, intimidade e calor do amor ajuda-nos a ultrapassar o nosso medo do mundo a escapar das nossas carapaças solitárias, e a participar mais intensamente na vida. O amor enriquece todo o nosso ser, tornando-se a melhor coisa na vida.

Siddhārtha Gautama (Buda)

Buda

“O amor é uma aflição enganadora”.

Siddhārtha Gautama, que se tornou conhecido como o Buda, ou O Iluminado, certamente teria tido algumas conversas interessantes com Russell.

O Buda propôs que amamos porque tentamos satisfazer os nossos desejos básicos. Contudo, os nossos desejos apaixonados são defeitos e fixações, mesmo o amor romântico é fonte de grande sofrimento. Felizmente, o Buda descobriu o Nobre Caminho Óctuplo, uma espécie de programa para extinguir o fogo do desejo de modo a alcançarmos o Nirvana, um estado iluminado de paz, clareza, sabedoria e compaixão.

O romancista Cao Xueqin ilustrou este sentimento budista de que o amor romântico é louco, num dos maiores romances clássicos chineses “Sonho da câmara vermelha“.

Num enredo literal, Jia Rui apaixona-se por Xi-feng que o engana e humilha. Emoções opostas de amor e ódio despedaçam-no, por isso, um taoista dá-lhe um espelho mágico que o pode curar, desde que não olhe para ele. Mas, claro, ele olha para o espelho. Ele vê Xi-feng. A sua alma entra no espelho e ele é arrastado para longe, acorrentado, e morre.

Nem todos os budistas pensam assim sobre o amor romântico e erótico, mas a moral desta história é que essas fixações conduzem ao sofrimento, e, tal como os espelhos mágicos, devem ser evitadas.

Vamos terminar com uma nota ligeiramente mais positiva.

Simone de Beauvoir

"O amor vai além de nós mesmos".

“O amor vai além de nós mesmos”.

A filósofa francesa Simone de Beauvoir propôs que o amor é o desejo de nos integrarmos com outro e que isso infunde as nossas vidas de significado. No entanto, ela estava menos preocupada com a razão de amarmos e mais interessada em como podemos amar melhor. Ela viu que o problema com o amor romântico tradicional é ser tão cativante que somos tentados a fazer dele a única razão da nossa existência. Contudo, a dependência do outro para justificar a nossa existência facilmente conduz ao tédio e a jogos de poder. Para evitar esta armadilha, Beauvoir aconselhou-nos a amar de forma genuína, que é mais parecido com uma grande amizade.

Os amantes apoiam-se um ao outro na autodescoberta, em ultrapassarem-se a si mesmos, e em enriquecer as suas vidas, assim como o mundo, juntos. Embora nós possamos nunca descobrir porque nos apaixonamos, podemos ter a certeza de que isso será uma montanha-russa emocional. É assustador, mas excitante.

A ideia de Beauvoir é explicada por Tenzin Palmo no belíssimo vídeo abaixo:

O amor pode nos fazer sofrer, pode nos fazer voar. Talvez nos percamos. Talvez nos encontremos. Pode partir nossos corações, ou pode ser simplesmente a melhor coisa da vida.

Qual seria sua hipótese filosófica para o amor?

Esse texto é uma tradução e adaptação do vídeo em inglês produzido pelo canal TED Education.