Você vai querer refletir sobre esses 5 diálogos da série Black Mirror

Vamos falar um pouco sobre a série do Neflix Black Mirror?

Nós selecionamos 5 diálogos para discutir e levantar questões interessantes. É bom você já ter assistindo aos  episódios para entender melhor o contexto.

Queda Livre

Motorista de caminhão: Há oito ano, Tom, o meu marido, teve câncer. Foi no pâncreas, muito ruim. Os sintomas apareceram tarde.
Lacie: Eu sinto muito.
Motorista de caminhão: Você não me conhece, então você não sente de verdade. Só está constrangida porque eu comecei a falar de câncer com você.

Comentário:

O que chama atenção é o fato da motorista deixar evidente a questão da Falsa Empatia. Lacie agiu com a melhor intenção em tentar se colocar no lugar da motorista e simplesmente disse: sinto muito.  No entanto, Lacie não faz a mínima ideia de como é perder um marido para uma doença grave. A consequência disso é a banalização dessa tristeza, o que significa que dizer “Sinto Muito” faz qualquer um se sentir profundamente incompreendido.

Manda quem pode

Kenny: Eles me filmaram
Hector: Te filmaram…
Kenny: Pela câmera do computador
Hector: Fazendo sexo?
Kenny: Não, tipo…Você sabe.
Hector: Tipo assistindo um vídeo pornô? Todo mundo faz isso! Até o Papa deve fazer!

Comentário:

Há discussões sobre esse trecho ser uma alfinetada nos escândalos de pedofilia na Igreja Católica.

San Junipero

Kelly: Eu disse que já tomei minha decisão
Yorkie: Que escolha heim? Ficar triste porque seu marido não está aqui? Essa escolha foi dele.
Kelly: Para!
Yorkie: Ele escolheu não ficar aqui, ele te abandonou, ele podia ter ficado mas ele escolheu te deixar.
Kelly: Não sabe o que está dizendo.
Yorkie: Você devia estar brava com ele e não se flagelando com a culpa
Kelly: 49 anos. Eu passei 49 anos com ele. Você não consegue nem imaginar. Você não sabe como é a intimidade, o compromisso, o tédio, o desejo, as risadas, o amor, a porra do amor, você não tem como saber. Tudo que a gente sacrificou, os anos que eu dei a ele, os anos que ele me deu…

Comentário:

Temos mais um diálogo sobre Falsa Empatia, mas podemos ir além. A tamanha falta de sensibilidade de Yorke me fez lembrar do termo “Amor Liquido” encabeçado por Zygmunt Bauman, onde ele faz uma reflexão sobre a misteriosa fragilidade dos laços humanos. Como laços de relações podem se desfazer da noite para o dia, tornando as pessoas cada vez mais inseguras, frias e insensíveis, como a atitude de Yorkie.

Hang de Dj

Frank: Quer saber a minha teoria? Vamos supor que o sistema seja aleatório. Que seja tão sofisticado como dizem. Ele analisa suas reações e traça um perfil complexo. Cada pensamento louco que você já teve, todos os seus sonhos, fraquezas…
Amy: …E teorias bizarras
Frank: Sim, sua mente inteira. E se ele tem sua mente inteira, ele consegue pensar?

Comentário:

O roteirista de Black Mirror não colocou esse diálogo simplesmente por acaso. É de fato um convite para pensarmos sobre o limite que a tecnologia pode chegar. Será que de fato um sistema que contenha todos os nosso pensamentos, desejos, tudo seja capaz de pensar da mesma forma como pensamos?

Quinze milhões de méritos

Jurado: Você preparou um discurso é isso?
Bing: Amarre um gordo a um poste e nós nos matamos de rir porque fizemos por merecer. Nós já pagamos pecados e ele está na pior, então vamos rir. Porque estamos tão loucos de desespero que não conhecemos nada melhor. Só conhecemos objetos falsos e coisas para comprar. É como nos comunicamos, como nos expressamos. Comprando coisas.

Eu tenho um sonho. O ápice dos nossos sonhos é um chapéu novo para o nosso boneco. Um chapéu que não existe, que nem está lá. Nós compramos coisas que nem existem. Mostrem-se algo real, gratuito e bonito. Não tem não é? Isso nos quebraria. Estamos muito anestesiados para isso. Nossas mentes sufocariam. Não aguentaríamos coisas boas. Por isso que quando encontramos algo maravilhoso, vocês racionam, e só então ele é ampliado, embalado e distribuído através de 10 mil filtros pré-designados até não ser nada além de uma série de luzes insignificantes, enquanto pedalamos todos os dias, indo para onde?

Comentário:

Quantos de nossos esforços e sacrifícios são, na verdade, ‘oferendas’ ao nada? Parece que muitos de nós estamos na mesma situação do Bing. Estamos tão anestesiados que passamos a viver em uma rotina de trabalhar, querer se feliz, ganhar dinheiro, ser isso, ser aquilo para no final perceber que estamos tentando tapar um buraco sem fundo. Para sorte de Bing, ele percebeu o quão estúpido estava sendo em viver nesse sistema. Acredito que o discurso do Bing nos leva a pensar se estamos vivendo ou simplesmente sobrevivendo de acordo com a regras do sistema.

Arkangel (Sugestão Leitor*)

Sara: você me espionou
Marie: não, amor
Sara: você me viu com ele
Marie: não foi por querer
Sara: me da isso.
Marie: eu só queria te proteger, te manter segura
Sara: como desliga isso?
Marie: tudo o q eu fiz foi por vc
Marie: filha, eu te amo
Sara: cala a boca

*Sugestão do leitor Ricardo Ribeiro.

Comentário:

“O que me chamou atenção neste trecho foi como a mãe com uma vigilância e superproteção extremada revoltou a filha. A mãe revogou a liberdade da filha como se ela não fosse responsável por si mesma, como muitos pais fazem hoje em dia.”
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Vamos continuar? Você tem algum diálogo que gostaria de adicionar ou comentar o que foi dito?

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