Antidepressivos: Como usar corretamente e obter o máximo do tratamento

Apesar de todos os efeitos colaterais, muitas pessoas enxergam os antidepressivos como uma excelente solução. Na verdade, algumas pessoas com vários tipos de condições mentais, como depressão, transtornos de ansiedade e TOC podem levar uma vida tranquila graças ao tratamento.

Aqueles que nunca tinham sido capazes de viver com a depressão, depois de passar a tomar antidepressivos, literalmente se tornaram uma nova pessoa.

Embora os antidepressivos possam ser muito eficazes para controlar a depressão, a maioria das pessoas realmente não sabem como usá-los corretamente

De um ponto de vista objetivo, a maneira correta de usá-los simplesmente envolve ingeri-los de acordo com a recomendação médica.

De um ponto de vista subjetivo, pode haver algumas complexidades que as pessoas (especialmente usuários de primeira viagem) não estão cientes.

Vários detalhes que muitas vezes não são abordados antes do tratamento incluem: 

  • Como reagir se o antidepressivo deixar de funcionar;
  • Se uma pessoa vai estar medicada “para sempre”;
  • Como interromper corretamente a medicação.

Além disso, a maioria dos médicos não deixam claro que os antidepressivos devem ser usados como uma ferramenta para ajudar no processo de mudança, em vez de ser usado para o único propósito de “muleta” Isto é,  porque a ajuda da muleta pode desaparecer se um antidepressivo parar de funcionar.

Quem deve usar antidepressivos?

Antes de aprender a melhor estratégia de tratamento antidepressivo, em primeiro lugar você deve saber se você realmente precisa de um. Sempre se recomenda tentar outras opções de tratamento disponíveis, especialmente opções naturais, antes de se sujeitar a medicação psicotrópica. 

Depois de assumir que nenhum tratamento natural ajudou a melhorar os sintomas da depressão, o tratamento antidepressivo deve ser seguido, pois é eficaz para muitas pessoas.

Os antidepressivos são para:

  • Aqueles que já buscaram curas naturais para a depressão;
  • Aqueles que já tentaram suplementos para a depressão sem benefício;
  • Aqueles que não encontraram alívio em opções mais seguras.

Como usar antidepressivos

Não é preciso ser um engenheiro(a) da Nasa para conseguir uma receita de antidepressivos. Basta ir ao médico com uma queixa de que se sente extremamente triste, abatido ou deprimido. Se o médico determinar que a depressão é grave o suficiente para justificar a medicação, um antidepressivo é prescrito. 

Infelizmente, a maioria dos novos usuários não sabem o que esperar do uso de antidepressivos, nem têm certeza de como usá-los corretamente.

Abaixo está uma lista de dicas úteis:

1. Encontre um que funcione

O primeiro passo no processo de tratamento da depressão é encontrar um medicamento que realmente funcione. Algo que essencialmente provoca um efeito “antidepressivo” ou tira sua depressão. Se seus sintomas depressivos melhorarem ao tomar a medicação, é um sinal de que o remédio está funcionando. O grande problema é que é difícil encontrar um medicamento que funcione.

Por conta disso é altamente recomendável procurar a ajuda de um psiquiatra ao invés de um médico. Os psiquiatras têm significativamente mais conhecimento sobre as complexidades dos medicamentos psicotrópicos que são prescritos para tratar a depressão. Portanto, você provavelmente terá mais sucesso trabalhando com um psiquiatra do que com o clínico geral.

Com o tempo, você deve eventualmente encontrar um medicamento que realmente funcione. Você vai notar uma melhora no humor e talvez na sua confiança e em outras áreas da vida também. 

Seus níveis de energia podem aumentar, e a vida provavelmente será melhor do que era antes de você tomar a medicação.

2. Modificações comportamentais/de estilo de vida

Depois de encontrar um medicamento que funcione, a coisa mais importante que você pode fazer por você mesmo é investir em um novo estilo de vida. Procure fazer o que você era incapaz de fazer. Em outras palavras, procure um estilo de vida mais equilibrado possível. Se conecte-se com as pessoas, faça novos amigos e sem dúvidas faça coisas que você pode ter tido medo de fazer antes de tomar o antidepressivo.

Exemplos:

Seja ativo na comunidade – Se você tiver a possibilidade de voluntariar-se e/ou oferecer ajuda de alguma forma em sua comunidade, faça!. Envolver-se na comunidade o ajudará a criar uma rede de contatos e construir conexões sociais. Se sua depressão voltar, pelo menos você terá algo para fazer, o que o manterá ocupado.

Carpe Diem – Essa é uma expressão antiga que se traduz vagamente para “colhe o dia ou aproveite o momento”. Em outras palavras, aproveite ao máximo o tempo que sua medicação antidepressiva está funcionando.

Atividades saudáveis – Enquanto estiver tomando sua medicação, tente ser o mais saudável possível. Certifique-se de que você está fazendo algum exercício, comendo de forma saudável e cuidando de si mesmo.

Aprenda coisas novas – Para algumas pessoas, tomar antidepressivos pode realmente melhorar a função cognitiva. Tome o tempo necessário para aprender coisas novas, como um novo passatempo ou qualquer coisa em que possa estar interessado(a).

Faça novos amigos – Alguns antidepressivos têm um poderoso efeito pró-social, o que significa que eles naturalmente o tornam mais extrovertido do que antes. Isso lhe dará uma chance de conhecer novas pessoas e fazer novos amigos. As mudanças nos neurotransmissores ajudam algumas pessoas a tornarem-se mais confortáveis em situações sociais.

Faça coisas novas – Isso envolve tentar coisas que você talvez não pudesse fazer anteriormente porque você estava muito deprimido e/ou ansioso. Algo como convidar alguém para um encontro, entrar em um relacionamento, ir a eventos sociais ou fazer algo que você tem medo de fazer.

Enquanto o medicamento está funcionando, você precisa aproveitar o “efeito antidepressivo” o máximo que puder. Continue a trabalhar no seu desenvolvimento pessoal e rodeie-se de influências sociais positivas. 

Essas mudanças de estilo de vida podem ser menores e mais difíceis para umas pessoas, mas para outras, as mudanças que são capazes de fazer enquanto em um medicamento antidepressivo está fazendo efeito, pode fazer toda a diferença.

Pense em um medicamento antidepressivo como uma ferramenta para ajudá-lo a chegar onde você quer estar. Digamos que sua depressão era tão grave que você não podia sair da cama de manhã, ir à escola, e/ou manter um emprego. Se uma medicação começar a funcionar, você pode querer se esforçar para acordar cedo, obter um diploma e/ou candidatar-se a um emprego.

Sua realidade vai mudar aos poucos quando você começar a fazer coisas que não podia fazer quando estava deprimido.

3. Saiba que os antidepressivos podem não funcionar para sempre

Muitas pessoas são capazes de obter benefícios significativos com antidepressivos por semanas, meses, e em alguns casos, anos a fio. No entanto, é importante saber que os antidepressivos podem parar de funcionar e que a maioria não funcionará para sempre. 

Em algum momento, você pode precisar enfrentar a retirada do antidepressivo e passar a viver sem a ajuda de um medicamento.

A maioria das pessoas que tomam antidepressivos geralmente são muito mal informadas, ou não procuraram se aprofundar no assunto. Como a maioria das pessoas, os usuários iniciantes basicamente presumem que os antidepressivos são dr*gas que os farão sentir-se felizes e funcionarão para sempre. Infelizmente, muitas pessoas acabam com expectativas destruídas quando, do nada, o antidepressivo para de funcionar.

Antes de tomar um antidepressivo, esteja sempre atento a esse fato: Não importa quão bem você se sinta com ele, há uma chance (grande) de que esse sentimento de felicidade não dure para sempre. Embora seja um pouco deprimente pensar sobre esse fato, você pode usar esse fato a seu favor, sabe como? 

Aproveitando ao máximo para fazer coisas novas e entre outras dicas citadas acima enquanto a medicação funciona.

4. Atingindo o “divisor de águas” Retirada / Descontinuação

Em algum momento durante o tratamento antidepressivo, você provavelmente chegará a uma encruzilhada. Isso envolverá:

  • Um declínio na eficácia de sua medicação
  • Efeitos colaterais intoleráveis. 

Em alguns casos, esse divisor de águas pode até causar um desejo pessoal de interromper o tratamento.

O Desejo de interromper a medicação: Muitas pessoas acabam tomando antidepressivos, se sentem bem, e depois acreditam que estão se sentindo naturalmente mais felizes sem a ajuda dos remédios – isso é um erro. Normalmente, quando uma pessoa toma um remédio e sua depressão melhora, é resultado do trabalho da medicação. Quando a pessoa deixar de tomar o medicamento vai perceber que se sente absolutamente horrível, e os sintomas da abstinência torna isso ainda mais difícil de funcionar. De qualquer forma, algumas pessoas estão determinadas a lutar favor da retirada porque querem se ver ser “livres das dr*gas”

Efeitos colaterais: Em alguns casos, as pessoas podem decidir que os efeitos colaterais associados ao seu antidepressivo superam significativamente os benefícios que estão recebendo. Por exemplo, se um medicamento não está funcionando tão bem para a depressão e uma pessoa também está ganhando muito peso como um efeito colateral, pode decidir que os inconvenientes superam os benefícios.

Tolerância: Algumas pessoas irão eventualmente notar que o seu antidepressivo diminuiu em eficácia e / ou simplesmente não está funcionando mais. Neste ponto, provavelmente eles se tornaram tolerantes aos efeitos de sua medicação. Por esta razão, muitas pessoas optam por retirar seus medicamentos, em oposição a considerar outras opções.

5. Sempre mantenha as mudanças de comportamento

As mudanças que você fez ao tomar a medicação serão extremamente difíceis de manter quando você parar de tomar os comprimidos. De fato, algumas podem ser totalmente impossíveis de manter, mas dê o seu melhor e aguente firme. Mesmo que você comece a se sentir extremamente deprimido e/ou ansioso, simplesmente se esforce para socializar e manter hábitos saudáveis.

Todas as mudanças positivas que você fez enquanto tomava seu antidepressivo devem ser mantidas o melhor que puder quando você sair da medicação. Em outras palavras, mantenha-se em dia com os amigos, socialize e permaneça envolvido no trabalho e/ou na comunidade. Ao praticar a manutenção das mudanças de comportamento, você está forçando seu cérebro a se religar para funcionar nessas situações que antes eram confortáveis.

Seu cérebro sabe que ele já lidou com esses cenários antes, sob a influência da medicação. Embora uma medicação possa ajudar, neste momento você saiu dela, passou por um período de abstinência perversa, mas é uma pessoa um tanto diferente agora, porque seus hábitos e ambiente são diferentes. Isso supondo que você usou a medicação antidepressiva como uma ferramenta ou um dispositivo de ignição para ajudar você a fazer alterações no estilo de vida que antes não era possível.

Você pode sentir um desconforto com a manutenção desses comportamentos que você se envolveu quando tomava a medicação, mas você pode mantê-los em dia se você trabalhar nisso. Tecnicamente, deve ser um pouco mais fácil porque você pode ter algum círculo social e algum conforto em torno de pessoas ou situações que anteriormente teriam causado desconforto.

Para alguns indivíduos, simplesmente manter esses novos hábitos (espera-se que saudáveis) que foram desenvolvidos durante o uso do medicamento é suficiente para fornecer alívio antidepressivo. Agora que você está envolvido em um círculo social, talvez tenha um emprego, talvez tenha algum trabalho voluntário e vá à academia e esteja se sentindo melhor consigo mesmo. Neste caso, você usou a medicação corretamente – para ajudá-lo a fazer mudanças que poderiam ser mantidas para uma resposta antidepressiva por muito tempo depois que você deixou a medicação

6. Alternativa: “Antidepressivos para o resto da vida”

Há uma opção alternativa para algumas pessoas e que envolve ficar com medicação antidepressiva para o resto de suas vidas. Aqueles que podem se manter medicados e aproveitar os efeitos de serem medicados devem permanecer em tratamento pelo resto de suas vidas.

O grande problema disso é que você provavelmente terá que aumentar sua dose. Então, se você começou com 5 mg de medicamento, ele provavelmente vai se defasar e você eventualmente chegará em até 10 mg. Cada mg a mais pode fazer os efeitos colaterais aumentarem porque mais do medicamento está influenciando o seu funcionamento fisiológico.

Se você está seguindo essa estratégia em particular, é sempre recomendado aumentar o mínimo possível. Em outras palavras, sempre tome a dose mínima para evitar aumentos significativos na tolerância. Também é importante sempre conduzir uma análise de custo-benefício ao longo do tratamento, determinando se os benefícios atuais superam os custos (por exemplo, efeitos colaterais / falta de eficácia, etc.).

Com essa estratégia, também é importante ter em mente que tratamentos mais novos e mais eficazes podem chegar ao mercado. Quando essas opções mais efetivas se tornam disponíveis, você sempre pode fazer a transição para a melhor medicação, essencialmente “atualizando” seu tratamento. 

Abaixo estão algumas coisas para manter em mente quando se considera tratamentos

Analise o custo-benefício: É importante realizar sempre uma análise de custo-benefício antes de tomar medicamentos, bem como durante o tratamento. Você deve estar ciente de qualquer potencial efeito colateral antidepressivo e sempre pensar se a medicação é útil durante todo o tratamento. Pergunte-se se a dr*ga está ajudando sua depressão e se você é capaz de tolerar os efeitos colaterais.

Coma peixe: Há novas evidências que sugerem que comer peixe aumenta a eficácia dos antidepressivos – isto é muito significativo.  Embora seja difícil determinar se os fatores dietéticos influenciam a eficácia dos medicamentos, há algumas evidências preliminares que sugerem que sim.  Para maximizar qualquer benefício potencial derivado da medicação, deve-se sempre fazer uma ótima dieta alimentar, incluindo peixes.

Dose efetiva mais baixa: Qualquer que seja a medicação com a qual você começar, sempre peça ao seu médico a menor dose possível. Nem mesmo necessariamente a menor dose efetiva, mas a menor dose possível. A melhor maneira de tomar antidepressivos é começando por baixo, e trabalhando seu caminho até que a medicação comece a funcionar. O motivo para começar com uma dose baixa recomendada tem a ver com o fato de que certas pessoas são mais sensíveis à medicação e começar com uma dose alta pode fazer a medicação não funcionar ou provocar muitos efeitos colaterais. Além disso, doses mais elevadas tendem a resultar num aumento da tolerância a um ritmo mais rápido, ou seja, ele pode parar de funcionar mais rapidamente.

Doses Homeopáticas:Se você está planejando tomar um medicamento durante o máximo de tempo possível, é importante que você aumente as doses bem lentamente. Se você aumentar sua dose dobrando-a cada vez que a dose anterior se esgota, você está aumentando sua tolerância a um ritmo mais rápido do que o necessário. Isto é como um “Alcoolista:” que bebe uma cerveja todos os dias durante um certo tempo – eventualmente os efeitos desaparecem. 

Usando o exemplo do alcoolisa, para que ele volte a sentir os efeitos do álcool, ele teria que aumentar a dose em 1 quarto de cerveja ou meia cerveja. No entanto, se tratando de antidepressivos, algumas pessoas costumam dobrar a dose – o equivalente a saltar para 2 cervejas. Isso resulta em mais poder inicial, mas em geral é uma estratégia pior porque que constrói uma tolerância mais rápida.

Escalonamento do tempo: Preveja quantos anos você vai se beneficiar da medicação. Muitas pessoas não saberão, mas uma boa estimativa pode ser feita. Se você prever que você só vai receber o benefício por alguns meses antes da dr*ga parar de funcionar, então pode não valer a pena prosseguir.

Atualização do tratamento: Se você está atualmente tomando um medicamento que funciona bem, mas não é perfeito, você deve sempre procurar a próxima grande novidade. Embora os medicamentos mais novos geralmente não sejam uma panaceia, é importante manter-se informado sobre os tratamentos mais recentes para que você não perca uma medicação mais eficaz com menos efeitos colaterais. Nesse caso, é importante continuar atualizando seu tratamento se você tiver certeza de que tratamentos superiores estão disponíveis. Sempre faça isso com cautela e mantenha a crença de que o mais novo nem sempre é melhor

Veredito: Os Antidepressivos são uma “ferramenta” temporária.

É importante perceber que os antidepressivos geralmente não são uma ótima solução a longo prazo. Claro que eles podem funcionar por um ano ou vários anos. Algumas pessoas acabam ficando com eles por toda a vida, mas muitos desses indivíduos acumulam efeitos colaterais ao longo do tempo e / ou não estão obtendo quase o mesmo efeito antidepressivo que estavam recebendo no início do tratamento – isso se deve à tolerância.

Embora uma pessoa possa permanecer com um antidepressivo pelo tempo que desejar, em alguns casos, a dr*ga para de funcionar e / ou ativar um interruptor neuroquímico após vários meses e os sintomas se tornam ainda piores do que antes.

Os antidepressivos não devem ser considerados uma estratégia de tratamento ao longo da vida porque, na maioria dos casos, eles simplesmente param de funcionar à medida que desenvolvem tolerância.

A mensagem mais importante, entretanto, é não apenas apreciar o efeito antidepressivo enquanto funciona, mas também fazer alterações no estilo de vida que ficarão com você por muito tempo depois que o antidepressivo passar. Pode ser preciso um esforço de sua parte para manter as amizades, estilo de vida, tudo o que você conquistou durante o tratamento, mas isso é é possível.

Ao manter comportamentos e hábitos benéficos depois de interromper sua medicação, você pode não se sentir deprimido porque vai estar ocupado envolvido em atividades e sobretudo terá conexões sociais.